Releitura do conto Pai Contra Mãe realizada pela aluna:
Iwlyana Maria dos Santos
Cândido Neves, sempre foi um rapaz honesto, trabalhador e alegre. Morava na casa de um primo. Sua profissão era incerta, gostava de trabalhar, mas não conseguia se fixar em nenhum emprego bom.
O moço já estava com seus 34 anos, quando nele despertou o desejo de construir uma família, casa, mulher e folhos. Mas, entre todas as moças que conheceu não houve interesse, pois não sentia amor a ponto de se casar.
Até que um dia precisou de um serviço de costura, foi até a casa de dona Mônica, uma senhora costureira do bairro. O que ele não esperava é que lá fosse encontrar a jovem Clara, sobrinha órfã de Mônica. Quando a viu, apaixonou-se imediatamente. E com Clara não foi diferente.
Logo começaram a namorar, não demorou muito e se casaram. A tia de Clara não foi contra, mas queria que ele arrumasse um bom emprego e permanecesse nele. Após o casamento, o casal foi morar na casa de Mônica, até que comprassem a deles. Cândido e Clara tinham o enorme desejo de terem um filho, mas antes, ele queria antes ter sua própria casa e seu emprego para não depender de ninguém.
Foi aí que ele teve a idéia, de pedir um empréstimo no banco, mas como não tinha posses, pediu ao primo que fizesse isso para ajudá-lo. Fizeram um acordo onde o primo faria o empréstimo e Cândido todo mês daria uma parcela do dinheiro até que tudo fosse pago. E assim fizeram. Foram ao banco, não tiveram problemas e correu tudo na mais perfeita ordem. Cândido pegou o dinheiro e dividiu no meio, com metade comprou uma casa simples, mas boa e com a outra metade, abriu um pequeno comércio onde se vendia peças de roupas que sua mulher confeccionava.
Nos primeiros meses tudo corria maravilhosamente bem. Ele já havia pago metade do empréstimo, seu armário estava sempre farto e sua casa com mobília nova. Enfim, tinham uma vida razoavelmente boa. Então decidiram que já podiam ter o filho tão desejado. Não demorou muito e Clara engravidou. Foi uma gestação tranqüila. Quando já estava no seu último mês de gestação, mês esse também que seria paga a última parcela de sua dívida, houve uma grande crise em todo o país, isso afetou todos os comércios. Cândido ficou sem saber o que fazer, tinha algumas economias, mas sabia que não duraria para sempre.
Passaram-se alguns dias e o dinheiro já estava por um fio, a crise não melhorava e os produtos de sua venda já estavam quase se estragando. A última parcela do empréstimo já estava vencida e o primo não tinha como cobrir. O banco começou a mandar cartas de cobrança e já ameaçavam tirar sua casa como forma de pagamento. Ao saber, Cândido ficou desesperado, não pensou que a situação pudesse chegar a tal ponto. Mas, como ele sempre teve muita fé em Deus, pediu que lhe desse uma luz.
Naquela época havia ali na cidade um coronel muito rico e poderoso que estava a procura de uma ex-escrava chamada Arminha. Ele oferecia uma quantia muito alta para quem a encontrasse. Quando Cândido soube desta quantia, que dava para quitar sua dívida e ainda ficar com a vida estabilizada até que as coisas voltassem ao normal, foi a procura de Arminha mesmo sem saber para que o coronel queria a mulher.
A essa altura Clara já havia dado a luz a um menino alguns meses, mas mal tinha o que comer. Naquele tempo, existia um lugar chamado Roda dos Enjeitados, onde crianças recém-nascidas eram deixadas por pais que não queriam ou não tinham condições de criá-las. Cândido não queria abandonar seu filho de jeito nenhum, mas o dinheiro já havia acabado e nem Arminha ele encontrava.
Até que, ao passar por um dos becos de seu bairro, se depara com Arminha. Não perdeu tempo, pegou-a pelos braços e levou até a casa do coronel. A mulher não queria ir, pois no tempo em que trabalhou naquela casa, foi muito castigada.
Mas, para a surpresa de todos, o coronel descobrira recentemente que ela era filha de seu pai. Ele queria conhecê-la, se aproximar dela como irmão e convidá-la para mora sua casa, desfrutando de tudo, já que também era herdeira.
Cândido recebeu o dinheiro, foi ao banco pagou a dívida, depois foi para casa contar as boas novas para sua mulher. Alguns meses depois, a crise já não existia e tudo voltava ao normal. O coronel além de ganhar uma irmã também ganhou não só um, mas dois sobrinhos, pois Arminha estava grávida de gêmeos quando foi morar lá.
Assim chegou ao fim este conto. Mas atenção: este final feliz aconteceu aqui. Na vida real nem sempre as histórias têm finais felizes como queremos.
Fim
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