Releitura do conto A Causa Secreta realizada pelo aluno:

Douglas Damas Junior


Como os personagens aqui presentes estão mortos e enterrados, agora é tempo de contar a história sem rebuço:

A cabeça quase apressava Garcia, homem calmo, que adora narrar uma história com todos os detalhes. Só ele sabia das crueldades de Fortunato que foram reveladas numa noite de grande loucura.

Tudo começou quando estava na hora de Garcia ir para trabalhar na casa de Saúde. O rapaz tinha se formado em Medicina no ano anterior, ou seja, 1861. Foi na faculdade que conhecera Fortunato pela primeira vez quando ele saia de lá.

Depois de alguns dias encontraram-se na rua do Alto da Boa Vista. Lugar onde só as pessoas mais corajosas entravam e lá quando Garcia foi atender um paciente encontrou Fortunato.

Constrangido, o rapaz confessou sua obsessão em ver o sofrimento alheio. Isso lhe dava uma grande sensação de bem estar e muito poder. Percebendo que Garcia tinha uma certa ambição, Fortunato lhe propõe uma sociedade no qual montaria uma clínicas para que o jovem rapaz administrasse. Em troca teria que permitir todos os tipos de experiências possíveis com os corpos dos pacientes que venham a falecer. Pensando numa grande oportunidade em se tornar um grande médico, Garcia aceita sem medir as conseqüências dessa sua decisão. Mas por que se Fortunato queria tanto um homem como Garcia? Fortunato o convida para jantar em sua casa para comemorar a sociedade.

Na casa quando chega para jantar, Garcia conhece a esposa de seu sócio, Maria Luisa. Fica encantado com a beleza da moça, mas sente nela uma grande tristeza. A moça corresponde seus olhares e, depois de algum tempo, ambos se apaixonam.

O que causaria um certo perigo para Fortunato nada mais era do que um de seus planos para atingir seus objetivos, pois a esposa estava muito doente e queria sentir o sofrimento alheio de um verdadeiro amor, já que nunca recebera esse sentimento de ninguém, inclusive de Maria Luíza.

A moça estava cada vez mais doente e Garcia não já havia feito de tudo para curá-la sem sucesso. Seu sofrimento era enorme quando pensava na possibilidade de perdê-la. Por sua vez, Fortunato tratava de lembrá-lo sobre o destino dos cadáveres.

Um belo dia Fortunato chama Garcia e comunica que Maria Luísa não resistiu e morreu na noite anterior. O rapaz entra em desespero. Fortunato faz o velório da moça e pede para que ele acompanhe tudo. Sabia o quanto o jovem médico estava sofrendo e isso lhe fazia bem. Terminado o velório, era hora de cumprir o combinado com o sócio referente ao destino dos cadáveres.

Dessa vez o psicopata decidiu abrir parte a parte, lentamente, o corpo da esposa. Garcia assistia tudo e pensava no triste destino daquela santa mulher. Até que durante a experiência percebe uma fraca respirada da moça e constata que ela ainda estava viva com seu corpo sendo totalmente aberto. Mas era tarde demais. Num ato de desespero Garcia atira no médico, o mata e vai para a cadeia.

No velório de Fortunato aparecem poucas pessoas, geralmente as que vinham eram gente da ladeira que vieram espiar o cadáver. No local todos discutiam onde o moço seria enterrado já que não tinha família e nem pistas do seus parentes. Até que surpreendentemente ouve-se o voz de defunto rindo descontroladamente:

- Me enterrem como entenderem e na hora em que resolverem. Podem fechar o caixão!

Fim

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