A Perda da Missa

Releitura do conto Missa do Galo realizada pela aluna:

Jovânia Cristina Nascimento

Era uma noite linda, véspera de Natal, quando vim de Itatiba e fui para a casa de um conhecido chamado escrivão Menezes. Sua casa ficava em São Paulo, um sobrado lindo onde morava com sua esposa e sogra. Todos acolheram-me muito bem. Eu estava com meus dezoito anos, tinha grandes sonhos, esperanças em meu coração, estudos terminados e muita vida para viver.

Tudo ali era novidade. Pela manhã fui dar umas voltas pela cidade onde pude conhecer várias pessoas. Entre elas conheci Pedrinho que, apesar de conhecê-lo tão pouco tempo, vi um amigo com quem fiquei em sua companhia até o chegar da tarde. Combinamos ir a igreja assistir a missa do galo na noite de natal. Então disse Pedrinho:

- Fique tranqüilo, ao chegar a meia-noite eu lhe chamo em casa, tudo bem?

- Pode deixar, estou tão ansioso que não dormirei. Vou te esperar sentado no sofá. Até mais tarde Pedrinho! disse eu.

Chegando em casa, fui tomar um banho, jantei e percebi que seu Menezes estava bem arrumado e de saída. Conversamos um pouco e pude notar que ele estava inquieto e tenso. Olhava para o relógio a todo o momento. Foi quando levantou, despediu-se e mal olhou para sua esposa que estava pronta para ir se deitar, pois costumava ir para seu quarto cedo.

Fiquei sozinho na sala, as luzes foram quase todas apagadas e foi ficando um grande silêncio. Algumas horas se passaram e de repente ouvi um barulho vindo do corredor da casa. Confesso que me assustei um pouco, mas quando olhei era a esposa de Menezes, dona Conceição que me disse:

- Desculpe, te assustei?

- Não, não me assustou, eu é que peço desculpas por ter acordado a senhora.

- Por favor, não me chame de senhora, me trate como você. Repondeu dona Conceição.

- Está bem. Se preferir assim é até melhor, achei você uma menina mesmo...

Conceição sorriu um pouco sem graça, mas percebi que a deixei feliz com o meu elogio. Continuamos a conversa e percebi que ela era uma mulher que, apesar de casada, se sentia sozinha e infeliz, e que atrás daquele rosto triste havia uma linda mulher.

Minhas palavras eram amigas e tudo que eu falava ela sorria alegremente. Parecia que já tínhamos nos conhecido em outro século. Mal pude me controlar, pois fiquei envolvido com o seu sorriso. Palavras vão, sorrisos vem, quando percebemos estávamos pertinho um do outro. Foi quando peguei em sua mão gelada. Ela sorriu para mim e como um imã beijei seu rosto. Parece mentira, mas pude perceber no beijo que era paixão a primeira vista. Minhas pernas tremiam e naquele momento percebi que estávamos apaixonados. Tive a certeza que ela era a mulher da minha vida e eu era o homem que podia fazê-la feliz.

Naquele momento ouvi alguém chamar baixinho no portão. Era Pedrinho me convidando para a missa do galo. Rapidamente fui ao portão, dei uma desculpa qualquer para não ir a missa. Ele entendeu e foi embora.

Voltei para a sala e não encontrei Conceição, pois, com medo de sua mãe acordar, já havia voltado para seu quarto.

Fiquei na sala sozinho, apaixonado e pensativo. Ela é casada, mas me disse que seu marido tem o costume de dormir fora de casa e já passa da meia noite do Natal e seu marido, a deixou aqui triste, sozinha e só irá voltar amanhã cedo. Afinal, que marido é esse que abandona a esposa noites e noites sozinha fazendo-a tão infeliz?

Não me controlei e, pode parecer loucura, fui até seu quarto e bati na porta bem baixinho uma, duas, três vezes. Quando parei e pensei que podia estar indo longe demais, percebi que a porta foi se abrindo vagarosamente. Conceição pediu para que eu entrasse. Nesse momento vi que seus olhos brilhavam.

Sei que não podia acontecer. Sei que foi uma loucura. Mas foi tudo tão rápido, tão mágico, tudo tão envolvente que ali mesmo ficamos, juntos, nos amando. Parecíamos duas crianças apaixonadas. Foi uma noite de natal maravilhosa, inesquecível, um amor louco, irracional, mas infelizmente impossível.

Fim

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